sábado, 22 de outubro de 2011

Caso 3: Caso de Bebida - A maldição de Cão

A maldição de Cão
Noé embriaga-se e amaldiçoa seu filho Cão por tê-lo visto nu.
Gênesis 9:20-29




Depois que o dilúvio caiu sobre a terra, Noé, sua mulher, seus filhos, suas noras e os casais de animais que foram preservados saíram da arca. A ordem de Deus para os sobreviventes do dilúvio era que frutificassem e povoassem abundantemente a terra. Assim, abençoou Deus Noé e seus filhos entregando-lhes tudo o que se move sobre a terra, os vegetais e os peixes do mar para lhes servirem de mantimento. Deus impôs apenas uma restrição: que não comessem a carne com sangue, pois o sangue representa a vida.

Através de Noé e de seus filhos, Deus estabeleceu uma aliança com toda a alma vivente prometendo que nunca mais haveria dilúvio para destruir a terra. Como sinal dessa aliança, sempre que viessem nuvens de chuvas sobre a terra, apareceria um arco-íris entre as nuvens. Estabelecida a aliança, Noé e sua família povoaram a terra.

A terra estava sob os cuidados de Noé e sua família. Agora, na luta pela sobrevivência pós-dilúvio, Noé tornou-se um agricultor. E, para deleitar-se do bom da terra, Noé plantou uma vinha da qual produziu-se vinho.

Em um certo dia, Noé bebeu do vinho da sua vinha até embriagar-se. Deixando-se levar pelos efeitos do vinho, perdendo a noção da vergonha, e o controle de si mesmo, Noé, em sua vã euforia, ficou nu no meio da sua tenda sem consciência do grande vexame por qual passava.

O filho menor de Noé, Cão, vendo o seu pai nu, foi contar para os seus dois irmãos que estavam do lado de fora da tenda. Os irmãos de Cão, Sem e Jafé, conscientes de que era uma afronta um filho olhar para a nudez do pai, pegaram uma capa, viraram-se de costas e entraram na tenda. Sem olhar para a nudez de Noé, Sem e Jafé cobriram o corpo de Noé com a capa.

Quando o efeito do vinho passou, Noé soube que seu filho Cão o viu nu. Enfurecido, Noé amaldiçoou Cão dizendo: Maldito seja Canaã (que era a descendência de Cão), servo dos servos seja entre os seus irmãos! Em seguida, Noé abençoou os seus outros dois filhos, Sem e Jafé.

O tempo passou e, depois de trezentos e cinqüenta anos após o dilúvio, Noé morreu com novecentos e cinqüenta anos de idade. Mas a maldição lançada a Cão por Noé não foi apenas um problema de família que passa com o tempo.

Depois de um tempo após a morte de Noé, a terra de Canaã fora prometida a Abraão e sua numerosa descendência, os israelitas. Os israelitas viveram como escravos no Egito por quatrocentos e trinta anos e de lá saíram rumo à terra prometida, que era Canaã.

Mas quando chegaram à terra prometida liderados por Josué, habitavam a terra os jebuseus, os amorreus, os heveus e outros povos. Todos esses eram descendentes de Cão, o filho amaldiçoado de Noé.

Para ocupar a terra de Canaã, Josué e os israelitas teriam que expulsar da terra os descendentes de Cão. Josué destruiu praticamente todos eles, mas um desses povos, os gibeonitas (que eram os heveus), por trapaça, fizeram Josué fazer aliança com eles, deixando-os viver entre os israelitas. O detalhe dessa história é que Josué amaldiçoou os recabitas condenando-os a serem sempre servos dos israelitas e rachadores de lenha. Assim, se cumpriu a maldição de Noé lançada contra Cão: os que restaram da descendência de Cão permanecem até hoje como “servos dos servos” de Israel (Js.9:22-27).

Leituras sugeridas

Gn. 9:1-19 - a aliança de Deus com Noé
Gn. 9:20-29 - A embriaguez de Noé e a maldição de Cão
Gn.10:15-20 - Os povos descendentes de Cão
Js.9:22-27 - Cumpre-se a maldição lançada sobre Cão
Ez.18:19-20 - Depois da lei, os filhos não pagam pelos pecados dos pais


Reflexão

Copo cheio, mente vazia



Uma polêmica existente entre os evangélicos é a questão do beber ou não bebida alcoólica, em especial o vinho. Na verdade, o consumo de álcool não deveria ser uma polêmica, isto é, uma divisão de pensamentos entre o certo e o errado, mas sim uma questão de bom senso e de consenso para selecionar o que é bom para o espírito e para o intelecto.

A Bíblia não condena diretamente o consumo de álcool, até porque vários personagens bíblicos consumiram álcool. O próprio Jesus converteu água em bom vinho. No entanto, em vários pontos da Bíblia, principalmente nos livros de sabedoria, há uma clara orientação sobre os danos causados pela embriaguez ao espírito e à razão. Noé e Ló são exemplos de pessoas que se deixaram vencer pelo vinho, trazendo maldições para suas famílias e para seus descendentes (Gn.9:20-29; Gn.19:30-38).

Salomão sabiamente disse que o vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; e que todo aquele que neles errar não é sábio ( Pv.20:1; ).

As pessoas consagradas a Deus como os nazireus e os sacerdotes não bebiam álcool. O não consumir bebida é o padrão de qualidade, por isso, dizem as escrituras “não vos embriagueis com vinho, no qual há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef.5:18). Logo, o álcool nunca estará associado ao crescimento espiritual. Por que buscá-lo? Por que defender o álcool quando este quase sempre está associado à ruína, aos conflitos, à vergonha, ao descontrole, à tolice, à violência, às queixas e até a mortes (Pv. 23:29-35)?

Para quem, pela Bíblia, guia-se por imitação de pessoas e não pela orientação dos sábios, vale ressaltar que era comum os judeus adicionarem água ao vinho para reduzir os efeitos da embriaguez. Por outro lado, é parte da cultura de países como EUA e Brasil o beber para embriagar-se.

Ainda que o álcool traga a sensação de alegria provisória, os seus danos sempre superam os prazeres. Isso porque, como toda droga, para se ter a mesma sensação de euforia inicial, será necessário aumentar a dose. Assim, entra-se no laço do vício. E, mendigando prazer, o homem arruína aos poucos o espírito e o intelecto. O bom senso diz, portanto, que é lícito beber, mas não convém (I Cor.6:12).

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Caso 2: Caso de Herança - O filho da escrava

CASO DE HERANÇA
O filho da escrava
O fracasso de um plano de barriga de aluguel e a origem de uma guerra sem fim entre judeus e árabes.

Gênesis 16:1-15; 21:8-21




Deus havia prometido a Abraão que ele e Sara, sua esposa, seriam pais de uma grande nação e que seus descendentes seriam incontáveis como as estrelas do céu e a areia do mar. Aos olhos humanos sempre limitados, a promessa de Deus seria impossível uma vez que Sara era estéril e idosa. Deus, porém, confirmou sua promessa a Abraão dizendo-lhe que Sara teria um filho que daria origem a uma grande e próspera nação.

Sara, incrédula, riu consigo mesma da “impossível” promessa de Deus. E vendo ela que envelhecia e era incapaz de dar um filho a Abraão, teve a insana ideia de dar Agar, sua escrava, a Abraão para que, no esquema de “barriga de aluguel”, a escrava gerasse filhos para o casal. Abraão deu ouvidos à Sara e trouxe para a sua casa um grande problema de família que se estendeu por gerações e até hoje é conflito entre os descendentes de Abraão.

Quando a escrava engravidou de Abraão, ela sentiu-se superior à Sara e passou a olhar a sua senhora com desprezo. Humilhada pela escrava dentro de sua própria casa, Sara, com apoio de Abraão, hostilizava Agar, até que a escrava decidiu fugir da presença de Sara.

Quando Agar saiu fugida da casa de Abraão, um anjo a encontrou e falou para ela voltar para casa e humilhar-se diante de sua senhora e selar a paz. O anjo prometeu a Agar, da parte de Deus, que ela teria um filho chamado Ismael e que a descendência dele seria numerosa.

Agar fez como o anjo sugeriu e voltou para a casa de Sara. Depois disso, ela deu à luz um menino, a quem Abraão chamou Ismael.

Quando Ismael começou a crescer, Deus cumpriu a sua promessa. Sara deu à luz um menino a quem chamou Isaque, que significa riso. Sara ria-se não mais de incredulidade, mas sim de grande alegria por ser mãe.

Quando Isaque foi desmamado, Abraão fez um grande banquete para comemorar. Mas Sara percebeu que o filho bastardo da escrava debochava de Isaque. Furiosa, Sara exigiu que Abraão mandasse a escrava e o filho bastardo embora, pois o filho da escrava não herdaria a herança de Abraão junto com Isaque. Essa palavra pareceu má a Abraão, mas o Senhor disse-lhe que Sara estava certa, pois Isaque era o legítimo herdeiro da promessa. Deus, porém, prometeu-lhe fazer de Ismael uma grande nação e que muito o abençoaria, pois ele também era filho de Abraão.

Abraão mandou Agar e seu filho embora de sua casa dando-lhes apenas pão e água. E andando errantes pelo deserto de Berseba, Agar e Ismael começaram a padecer necessidades quando a água deles acabou. Em uma atitude de desespero, Agar deixou o menino debaixo de uma árvore, afastou-se dele e, chorando, disse: que não veja eu o meu filho morrer. Mas o anjo do Senhor apareceu-lhe e a consolou dando-lhe esperanças de um bom futuro para o menino.

O anjo disse a Agar para erguer-se, pois Ismael seria grande e dele viria uma grande nação. Deus então abriu os olhos de Agar e ela viu uma fonte de água, de onde tirou água para ela e o menino. Renovadas as forças, Agar ergueu-se e cuidou de Ismael. No meio do deserto, o menino cresceu , fortaleceu-se e se tornou um valente flecheiro.

Deus cumpriu a sua promessa e multiplicou a descendência de Abraão. Isaque deu origem à grande e próspera nação de Israel e Ismael, à grande nação árabe. Até hoje, judeus e árabes brigam uma guerra sem fim pelo direito de herança das terras prometidas por Deus a Abraão.

Leituras sugeridas

Gn.16:1-5 - A Gravidez de Agar

Gn.17:15-19 - A promessa de Deus a Abraão e Sara

Gn.18:10-15 - Sara ri da promessa de ela ser mãe

Gn.21:15-25 - Agar e Ismael são expulsos da casa de Sara

Gl.4:21-25 - Agar e Sara representam duas alianças

REFLEXÃO
A descendência da liberdade sexual




A liberdade sexual propagada em nosso tempo dita novos padrões de relacionamentos e casamentos. O casamento, instituído por Deus para ser uma união estável, é esvaziado de valores e cada vez mais descaracterizado dos princípios divinos, torna-se um padrão social falido e instável. Por outro lado, há uma luta vã para tornar estáveis relacionamentos que, por essência, são instáveis.

Quando há desvios do curso natural das coisas, há uma forte tendência de surgirem impactos desastrosos. Os efeitos da liberdade sexual, por exemplo, são uma amostra de como o desvio do curso natural do padrão de Deus gera conflitos, instabilidades e danos de ordem emocional, moral, espiritual, intelectual, social e até econômica.

Se, por um lado a literatura, o cinema, as novelas, as propagandas e os noticiários dão glamour à liberdade sexual, a realidade a denuncia. Os relacionamentos fora dos padrões de Deus geram laços que submetem o corpo e a mente às paixões e aos prazeres na busca de uma satisfação que nunca se completa. E, por não se completar essa satisfação, vêm os excessos de relações sexuais. Chegam então os efeitos desastrosos que trazem danos ao corpo e à mente e problemas para toda uma vida.

A gravidez, fora do padrão natural do casamento, é um desses problemas para toda a vida. Estão associados a ela questões sociais problemáticas como o aborto, a gravidez na adolescência, prisão de pais por não darem as pensões dos filhos, abandono de crianças, avós como chefes de famílias e formação de crianças sem referências positivas de pai e de mãe.

No curso natural de Deus, os filhos são herança do Senhor. Vêm como bênção e não como um problema. Mas a descendência da liberdade sexual é uma geração sem referências de família, falida de valores, abandonada à própria sorte, que aprende a usar e descartar pessoas da mesma forma que aprende amar coisas de nenhum valor. Mas ainda há esperança de que essa mesma geração de tanto se autodescartar ainda tenha a percepção de um padrão melhor de bem viver que agregue valor e satisfação à vida.